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A participação das empresas no desenvolvimento
da cidadania
Andrea Goldschmidt*
Muitos acadêmicos têm procurado estudar o que é preciso
para uma empresa crescer e desenvolver negócios de forma saudável
e sustentável.
Uma das teorias existentes, desenvolvida a partir de princípios
da Biologia, é a da interdependência dos sistemas.
Na Biologia isso pode ser observado de forma muito clara. No corpo humano,
por exemplo, se um órgão não funciona bem, ficamos
doentes. A doença gera uma sobrecarga para os demais órgãos
vitais e sérias dificuldades para o indivíduo durante o
período em que estiver instalada no organismo. Se nada for feito
para combater o problema, a pessoa pode ficar debilitada para sempre ou,
em casos extremos, falecer.
O que esta teoria evidencia é que todos os órgãos
do corpo precisam funcionar em harmonia para que a pessoa viva de maneira
saudável.
Da mesma forma, uma empresa é parte de um sistema muito mais complexo,
que é a sociedade onde atua.
Ali, como no corpo humano, todos os “órgãos”
precisam funcionar em harmonia para que cada parte possa continuar existindo.
De maneira geral, isso significa que não é possível
manter uma empresa saudável, que cresça da forma desejada
e se desenvolva adequadamente em uma sociedade “doente”.
Vivemos num país com sérias desigualdades sociais e de oportunidades,
um país com um dos piores índices de distribuição
de renda do planeta, com sérios problemas ambientais, entre tantos
outros desafios. Será que é possível que as empresas
cresçam e desenvolvam-se de maneira saudável num ambiente
tão hostil?
Qual é o papel de cada um de nós diante destas questões?
Como podemos ajudar este sistema a manter-se saudável?
Como cidadãos, nossas maiores contribuições estão
relacionadas à atuação ética individual e
à participação em questões públicas
relevantes, que poderão ter impacto sobre a região em que
vivemos. Como empresários, podemos contribuir agindo de forma sustentável,
justa e ética com todos os públicos com os quais a empresa
se relaciona (funcionários, fornecedores, clientes, consumidores,
governo, meio ambiente e a comunidade de maneira geral), como preconiza
a responsabilidade social empresarial.
Vislumbramos, neste momento, uma oportunidade para as empresas de unir
estes dois papéis, desenvolvendo uma ação de responsabilidade
social de grande impacto e desempenhando um papel de grande importância
como agentes de transformação da sociedade, através
do seu envolvimento em ações de estímulo à
cidadania entre seus colaboradores.
Independentemente do tamanho da empresa, ela pode ajudar a conscientizar
as pessoas com relação ao seu papel no processo de participação
democrática, investindo em ações que tenham a intenção
de mostrar a importância do voto e do processo de discussão
e definição daqueles que serão, no futuro, os representantes
de cada um de nós no Senado, na Câmara dos Deputados, no
Governo Estadual e na Presidência da República.
Está nas mãos de cada um de nós a seleção
de pessoas que defendam nossos interesses, que entendam as reais necessidades
de cada comunidade e estejam dispostas a lutar para melhorar o nosso país.
Para isso, cada eleitor precisa refletir bastante sobre as alternativas
existentes. Devemos não apenas pesquisar o passado de cada candidato,
mas também as propostas de cada um para o futuro e a sua adequação
às necessidades e aos interesses comuns.
Não se espera, neste processo, que as empresas tenham a intenção
de “doutrinar” seus colaboradores ou sugerir que escolham
os candidatos a partir dos seus interesses, mas sim que os estimulem a
transformar o processo eleitoral num momento de reflexão e que
os ajudem a manter o interesse pelo tema após as eleições,
exigindo dos candidatos eleitos a realização do que foi
prometido durante a campanha. Uma verdadeira ação de estímulo
à participação em questões públicas
e de exercício da cidadania.
* Andrea Goldschmidt é administradora de empresas pela EAESP- FGV.
Trabalha como consultora na APOENA Sustentável Consultoria em Gestão auxiliando
empresas na implantação de programas de responsabilidade
social junto à comunidade.
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