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Por que é importante avaliar os
projetos sociais
Andrea Goldschmidt*
A avaliação de resultados é uma prática
comum em quase todas as atividades ligadas ao core business da empresa:
há metas e formas já bem estabelecidas para medir a produção,
as vendas, a participação de mercado, o desempenho individual
de cada colaborador, entre tantos outros indicadores importantes.
As metas são estabelecidas principalmente para que se tenha um
parâmetro do desempenho que será considerado razoável.
Depois de compará-las aos resultados efetivamente alcançados,
a empresa identifica oportunidades de melhoria e traça planos para
aumentar continuamente o seu desempenho.
Com as ações sociais não deve ser diferente. Uma
vez que uma empresa investe recursos (financeiros, humanos, técnicos,
entre outros) no desenvolvimento de uma ação social, ela
precisa justificar para seus acionistas e demais públicos de interesse,
como este recurso está sendo aplicado e que resultados espera-se
alcançar. Desta forma, se a empresa decidiu investir em ações
sociais, também deve criar metas e definir maneiras de medir se
está ou não alcançando os resultados desejados, como
faz com as ações ligadas ao seu negócio principal.
Neste caso, é comum que os resultados estejam relacionados aos
benefícios que se espera atingir na comunidade – número
de pessoas beneficiadas, impacto das ações sobre o público
participante, etc. – mas também é possível
pensar em resultados diretamente relacionados ao negócio –
aumento da satisfação dos funcionários com a empresa,
percepção de maior responsabilidade social por parte dos
consumidores ou aumento de vendas, por exemplo.
Como a avaliação é um processo muito importante no
sentido de identificar necessidades de ajustes e oportunidades de melhoria
nos programas, aumentando o impacto das ações e otimizando
o investimento realizado, é fundamental atentar às peculiaridades
deste processo. Algumas dicas importantes:
1. É recomendável fazer uma avaliação prévia
da situação, para que se possa fazer uma comparação
entre o “antes” e o “depois” em todos os indicadores
de desempenho definidos como relevantes.
2. Nunca se deve criar um sistema de avaliação com objetivo
de fazer uma “caça às bruxas”. O objetivo deve
ser a melhoria contínua e não a identificação
de culpados caso os resultados tenham ficado abaixo do esperado. Como
muitas vezes tratamos de dados subjetivos, o “medo” da avaliação
pode acabar interferindo nos resultados.
3. Deve-se procurar ter metas realistas. É preciso conhecer as
reais possibilidades de resultado dos projetos que a empresa desenvolve,
sempre tendo em mente que algumas mudanças sociais são lentas
e que os resultados podem demorar um pouco a aparecer, sem que isso signifique
que o projeto é ruim.
4. Guardar no orçamento do projeto uma verba específica
para as ações de avaliação. Pela complexidade
que estes estudos muitas vezes acabam tendo, o custo da avaliação
não é tão baixo e a falta de uma verba específica
pode comprometer esta fase tão importante de revisão das
ações e redirecionamento dos investimentos.
As empresas que se acostumam a estabelecer metas claras e medir seus resultados,
geralmente desenvolvem programas sociais mais eficientes, aproveitando
melhor os recursos disponíveis e gerando resultados mais profundos
e abrangentes tanto para seus negócios como para a comunidade beneficiada.
* Andrea Goldschmidt é administradora de empresas pela EAESP- FGV.
Trabalha como consultora na APOENA Sustentável Consultoria em Gestão auxiliando
empresas na implantação de programas de responsabilidade
social junto à comunidade.
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