Caso: Relatório de Sustentabilidade Desde 2007, a Roche Brasil Divisão Farmacêutica adota os indicadores GRI como base para a elaboração do Relatório de Sustentabilidade anual. Essa metodologia possibilita uma avaliação mais efetiva do desempenho da companhia diante da sustentabilidade e permite evoluções constantes de uma publicação para a seguinte.
O Grupo Roche foi fundado na Suíça, em 1896. Consagrou-se no setor farmacêutico com o desenvolvimento de terapias contra o câncer, Aids e hepatite e também no tratamento de pacientes transplantados. Além da filial Roche Brasil, instituída em 1931, o grupo possui filiais em cerca de cento e cinqüenta países. Em 2007, a companhia farmacêutica adotou a metodologia GRI por acreditar que os novos indicadores eram uma evolução em relação aos do Ethos, que já haviam sido aplicados nos dois últimos relatórios. O desafio era transformar o diagnóstico realizado com a aplicação de indicadores em um instrumento de gestão da sustentabilidade e, ao mesmo tempo, produzir um relatório para comunicar externamente as ações desenvolvidas pela empresa no ano anterior. Para iniciar o trabalho, a consultoria estudou todos os materiais de comunicação disponíveis e pesquisou ações desenvolvidas por empresas do mesmo setor. O levantamento de dados teve início com a realização de entrevistas com diretores e especialistas, a fim de identificar os desafios e estratégias da empresa e os programas que já possuía. Em seguida, foram definidos os públicos para engajamento (parte importante do processo da GRI). Foi determinado que no primeiro ano de atividades participassem três grupos de funcionários - do escritório em SP, das unidades industriais do RJ e GO e da força de vendas – um grupo de fornecedores de insumos produtivos e representantes da comunidade do entorno da unidade de São Paulo. Todos eles foram convidados a participar de umapesquisa onlinecom o objetivo de apontar as percepções que tinham em relação à sustentabilidade na Roche. A partir da pesquisa online foram realizados:
Paralelamente, treze pessoas de diferentes departamentos foram convidadas a levantar dados e preencher os indicadores GRI. Com todas essas informações, foi feita uma análise comparativa entre os temas relacionados à sustentabilidade abordados pelo Grupo Roche e as práticas realizadas pela Roche Brasil, a fim de alinhá-la com os objetivos estratégicos da matriz. Os tópicos eram capacidade de inovação, valor de produtos e serviços Roche, acesso a produtos e serviços Roche, precificação e reembolso, relacionamento com stakeholders e atratividade e responsabilidade do empregador. De forma geral, todos os temas destacados pela matriz possuem ações correspondentes no Brasil, o que demonstra o alinhamento estratégico e conceitual entre as unidades. Em 2008, a novidade nos relatos da companhia foi a inclusão dos indicadores FarmaSustentável, específicos para o setor farmacêutico. A novidade ajudou a aproximar o tema sustentabilidade das áreas de negócios e mostrar como as ações sociais e ambientais da empresa estão interligadas às ações do dia a dia, não representando atividades extras, mas sim uma preocupação da empresa em todas as decisões tomadas. Com os indicadores FarmaSustentável, alguns temas não abordados anteriormente pela metodologia da GRI apareceram no relatório, como por exemplo o relacionamento da empresa com médicos, com associações de pacientes e as ações que visam garantir o consumo e a prescrição responsável de medicamentos. Nos anos de 2009 e 2010, a inovação ficou por parte da publicação do relatório feita de maneira conjunta entre as divisões Farmacêutica e Diagnóstica, com o desafio de evidenciar a sinergia existente entre as duas divisões, exemplificando casos de atuação complementares, dentro do conceito de "medicina personalizada". No ano de 2010, a pesquisa de materialidade com stakeholders foi ampliada e foram envolvidos 6 diferentes públicos, distribuidores, fornecedores, funcionários, médicos, ONGs e operadoras de saúde. O resultado dessa pesquisa, feita de maneira online, identificou os temas mais relevantes para cada um dos públicos de interesse. Esses temas, identificados como mais relevantes, serviram de base para a elaboração do projeto editorial do Relatório de Sustentabilidade 2010 da Roche Brasil. Para a edição de 2010, foram realizadas mais de 20 entrevistas junto a presidentes, diretores e coordenadores das divisões Farmacêutica e Diagnóstica, com o intuito de coletar informações mais detalhadas sobre as atividades relacionadas à sustentabilidade. Outro ponto aprimorado foi em relação à coleta de indicadores que passou a envolver quase 50 profissionais de diferentes áreas.
Desde a elaboração do Relatório de Sustentabilidade de 2007, ficou claro que a indústria farmacêutica tem características muito peculiares, que não são contempladas pelos indicadores GRI e, consequentemente, identificou-se a necessidade de um grupo de indicadores específicos do setor. Para chegar a estes indicadores de forma participativa, o GRUPEMEF (Grupo dos Profissionais Executivos do Mercado Farmacêutico) idealizou um grupo de discussão e disseminação dos conceitos de Sustentabilidade no segmento farmacêutico – o FarmaSustentável. Com o apoio da APOENA Sustentável, o Grupo elaborou indicadores específicos que foram aplicados, de forma pioneira pela Roche, em seu Relatório de 2008, concomitantemente aos da GRI. As edições dos Relatórios de Sustentabilidade da Roche Brasil (2007, 2008 e 2010), foram impressas e distribuídas entre colaboradores, fornecedores, distribuidores, voluntários dos projetos sociais apoiados pela companhia, comunidade do entorno, jornalistas, estudantes, médicos e parceiros em programas de Responsabilidade Social Empresarial. Além da versão impressa, a Roche disponibiliza no site uma versão eletrônica aberta a todos os interessados. Todas as pesquisas, indicadores e análises de referências de mercado deram origem ao relatório de Planos de Ação de Sustentabilidade. Nesse material a Apoena Sustentável fez recomendações à Roche Brasil, com o intuito de alavancar os negócios, reduzir os riscos e aumentar a eficiência operacional da empresa em temas relacionados à sustentabilidade.* A Global Reporting Initiative possui três tipos de selos que variam entre “A”, “B” ou “C”, de acordo com o número de indicadores respondidos. “A” representa que o número de indicadores respondidos foi plenamente satisfatório; “B”, intermediário; enquanto “C” corresponde a um número mínimo de respostas exigidas. Os selos podem ser auto-declarados (“Self Declared”), verificados por terceiros (“3rd Party Checked”) ou verificados pela própria GRI (“GRI Checked”). Se os relatórios forem auditados externamente, recebem o símbolo “+” |